Um estudo internacional, publicado na revista Agricultural Systems com participação de pesquisadores da Embrapa, traz à tona estratégias fundamentais para intensificar a produção pecuária sem a necessidade de desmatamento ou expansão de novas áreas. O foco está na redução das chamadas “lacunas de rendimento”, que representam a diferença entre a produtividade atual de uma propriedade rural e o que ela poderia produzir em condições ideais.
Reduzir as lacunas: a chave para a sustentabilidade
A pesquisa destaca que a maioria das propriedades brasileiras opera abaixo de seu potencial produtivo, especialmente na pecuária de corte baseada em pastagem. Melhorias no manejo do solo, uso de pastagens mais resilientes, suplementação alimentar e controle sanitário são alguns dos caminhos apontados para encurtar essas lacunas.
Ferramentas de medição mais eficientes
O estudo também propõe o uso de modelos mais sofisticados de análise para medir o desempenho das fazendas, considerando variáveis como clima, tipo de solo e genética animal. Esses modelos visam orientar tanto políticas públicas quanto investimentos privados no sentido de aumentar a eficiência da cadeia produtiva, sem avançar sobre áreas de vegetação nativa.
Política pública e inovação no centro da mudança
Além do ganho ambiental, a intensificação sustentável pode gerar benefícios econômicos ao produtor, como aumento de rentabilidade e acesso a novos mercados. O estudo recomenda que governos incentivem a adoção dessas práticas por meio de crédito rural direcionado, assistência técnica e acesso a tecnologias modernas.
Em um cenário de crescente pressão por sustentabilidade, o estudo reforça que o futuro da pecuária está em fazer mais com menos: investir em eficiência, em vez de expandir a área de produção. A modernização dos sistemas pecuários é um caminho necessário para garantir segurança alimentar e conservação ambiental ao mesmo tempo.