O mercado global de milho voltou suas atenções para os Estados Unidos após a divulgação de uma nova movimentação expressiva: exportadores privados reportaram ao USDA a venda de 493,3 mil toneladas do cereal, sendo 100,8 mil toneladas direcionadas à Colômbia e 392,5 mil toneladas ao México. O anúncio consolidou a percepção de que os americanos iniciam a temporada 2025/26 com forte presença internacional, amparados por safra abundante, estoques elevados e preços competitivos.
Demanda forte impulsiona Chicago e anima exportadores
A venda ocorre no mesmo momento em que o USDA apresentou seus relatórios semanais, revelando que as exportações de milho dos EUA continuam aquecidas. Nas últimas leituras, as vendas líquidas superaram 1,9 milhão de toneladas, mantendo o México como principal comprador e destacando a Colômbia como um parceiro de demanda ascendente. O impacto no mercado futuro foi imediato: as cotações em Chicago avançaram, impulsionadas pela confirmação de que a demanda internacional permanece firme e capaz de sustentar preços mesmo diante da grande oferta americana.
Os EUA entram na nova temporada fortalecidos por projeções de exportação recorde, que para 2024/25 já se aproximam de 71 milhões de toneladas, o que garante um volume expressivo para comercialização ao longo de 2025/26. Com ampla disponibilidade e logística eficiente, o milho americano tem chegado ao mercado internacional com preço agressivo, fator crucial para países que buscam reduzir custos na cadeia de proteínas e na produção de ração animal.
Concorrência internacional se intensifica e o Brasil sente os efeitos
O avanço dos EUA ocorre em um momento de competição acirrada com o Brasil, que nos últimos anos se consolidou como um dos maiores exportadores globais. Porém, quando o milho americano ganha vantagem cambial e estrutural, compradores como México e Colômbia tendem a priorizar contratos com os EUA. A venda anunciada nesta semana confirma essa mudança momentânea de preferência e aumenta a pressão sobre o milho brasileiro, que precisa aproveitar janelas específicas de competitividade para manter participação nesses mercados.
Analistas latino-americanos ressaltam que a Colômbia tem ampliado sua dependência de milho importado, e embora o Brasil seja um fornecedor importante, o país enfrenta dificuldades quando os EUA praticam preços menores e garantem embarques rápidos. O México, por sua vez, alterna períodos de forte presença brasileira com momentos em que o milho americano predomina completamente — cenário que costuma ocorrer quando o dólar se estabiliza e os estoques dos EUA estão altos.