Cenario Rural

Exportação de carne bovina batem novo recorde apesar do tarifaço dos EUA

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China e novos mercados impulsionam desempenho histórico do setor em julho

Apesar das incertezas causadas pelo tarifaço dos Estados Unidos, que entrou em vigor neste mês de agosto, as exportações brasileiras de carne bovina surpreenderam positivamente em julho de 2025, registrando um volume histórico. De acordo com dados divulgados nesta quarta-feira (7) pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), o Brasil embarcou 250,4 mil toneladas de carne bovina in natura em julho, um aumento de 9,6% em relação ao mesmo mês de 2024. Em receita, os embarques renderam US$ 1,21 bilhão, alta de 12,8% na comparação anual.

China puxa demanda, mas novos destinos ganham relevância

A China segue como principal destino da carne bovina brasileira, respondendo por cerca de 48% das exportações do mês, com compras superiores a 120 mil toneladas. Contudo, outros mercados apresentaram crescimento significativo, como Emirados Árabes Unidos, Chile, Malásia e Indonésia. A diversificação de mercados tem sido uma estratégia importante diante do aumento da carga tributária para exportação aos EUA, que elevou a tarifa de 12% para 50%.

Produção norte-americana recua e favorece Brasil

Outro fator que favoreceu o desempenho brasileiro foi o encolhimento do rebanho bovino nos Estados Unidos, que atingiu o menor nível desde 1961, segundo o USDA. Com menor disponibilidade interna, os norte-americanos tendem a aumentar suas importações, e mesmo com o tarifaço, o Brasil permanece como alternativa competitiva, especialmente para cortes de maior valor agregado.

Custo do boi gordo estável e margem exportadora cresce

Enquanto as exportações aceleraram, o preço do boi gordo permaneceu relativamente estável no mercado interno. Segundo o indicador Cepea/B3, a arroba foi cotada a R$ 235,20 em 06/08, leve alta de 0,3% na semana. Essa estabilidade nos custos, somada à alta do dólar (que fechou em R$ 5,32 na mesma data), ampliou a rentabilidade dos exportadores, que estão priorizando os embarques internacionais.

Recorde vem acompanhado de cautela

Apesar do recorde, representantes do setor pedem cautela. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) alerta que o impacto do tarifaço deve ser mais sentido a partir de agosto, com redirecionamento de embarques e renegociações contratuais. “Estamos atentos e em diálogo constante com o governo para ampliar acordos com novos mercados e buscar mecanismos de compensação fiscal”, afirmou em nota o presidente da entidade, Antonio Jorge Camardelli.

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