Alckmin anuncia articulação para reverter medida anunciada por Trump e defende estabilidade nas relações comerciais bilaterais
O governo federal se articula para enfrentar a tarifa de 50% imposta pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre exportações brasileiras. Em pronunciamento neste domingo (13), o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, afirmou que o Brasil recorrerá à Organização Mundial do Comércio (OMC) e promoverá encontros com os setores privados mais impactados.
Reuniões com o setor produtivo e ações legais internacionais
Segundo Alckmin, o governo já iniciou a preparação de reuniões com os setores mais afetados pela tarifa norte-americana. “Essa medida não tem justificativa econômica e prejudica também o consumidor americano. Vamos trabalhar para revertê-la por todos os meios diplomáticos e legais possíveis”, afirmou o vice-presidente.
Entre as estratégias está o acionamento da OMC, organização multilateral responsável por regular e mediar disputas comerciais entre países. A medida visa contestar a legalidade da decisão dos Estados Unidos no campo jurídico internacional.
Lei da Reciprocidade Econômica pode ser acionada
Alckmin também citou a possibilidade de aplicação da Lei de Reciprocidade Econômica, sancionada em abril, que permite suspensões de acordos comerciais e concessões unilaterais em caso de prejuízo à competitividade brasileira. “Os EUA têm superávit conosco tanto em bens quanto em serviços. Somos parceiros, não ameaça”, declarou.
A lei prevê medidas como sobretaxas em importações, restrições comerciais e até suspensão de reconhecimento de patentes e royalties.
Lula cria comitê interministerial e promete diálogo com empresários
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva convocou uma reunião de emergência com seus ministros e determinou a criação de um comitê interministerial para analisar os impactos da tarifa e dialogar com os empresários mais atingidos. Segundo informações da Folha de S.Paulo, o comitê será composto pelos Ministérios da Fazenda, Relações Exteriores e Desenvolvimento, Indústria e Comércio.
Lula também prometeu se reunir pessoalmente com representantes do setor produtivo para construir uma estratégia conjunta e reforçar a atuação diplomática junto ao governo norte-americano.
Impacto no agronegócio e na indústria preocupa o setor produtivo
O tarifácio de Trump tem causado apreensão especialmente entre os exportadores de commodities como carne bovina, celulose, máquinas e autopeças. A imposição da tarifa já levou à queda na cotação da arroba do boi e travou negociações em frigoríficos. Empresários pedem urgência na reação institucional para evitar danos duradouros à competitividade internacional do Brasil.