Mercado internacional pressionado e demanda mais fraca explicam queda acumulada de 9,76% no ano
O Índice de Commodities do Banco Central (IC-Br), que mede a variação média dos preços das principais matérias-primas exportadas pelo Brasil, registrou nova queda em julho. A retração foi de 0,54% na comparação com junho, conforme divulgado nesta quarta-feira (7/8) pela autoridade monetária. Com esse resultado, o indicador acumula queda de 9,76% no ano e recuo de 13,68% nos últimos 12 meses.
Alimentos seguem em baixa
O grupo de commodities alimentícias, que tem peso relevante na composição do índice, caiu 0,89% em julho. Entre os produtos com maior impacto negativo estão a soja, o milho e o açúcar, pressionados por uma combinação de boa oferta global, câmbio valorizado e incertezas geopolíticas que afetam os fluxos comerciais.
No acumulado de 2025, os alimentos apresentam queda de 12,92%, com destaque para o milho, cujo preço caiu mais de 40% em algumas praças, e a soja, impactada pelo custo do frete e pela desaceleração da demanda chinesa.
Petróleo e energia aliviam perdas
Por outro lado, o subgrupo de energia registrou leve alta de 0,70% no mês, puxado principalmente pelo petróleo tipo Brent. Mesmo com a elevação pontual, o segmento ainda acumula baixa de 4,53% no ano, refletindo a instabilidade no setor e a oscilação da demanda global por combustíveis.
Metais também recuam
Os preços internacionais dos metais industriais, como minério de ferro e alumínio, também contribuíram para a retração do índice. O grupo de metais caiu 0,06% em julho e acumula perda de 2,62% em 2025.
Impacto no agro e na balança comercial
A queda do IC-Br reflete diretamente no faturamento do agronegócio e na balança comercial brasileira. Com preços mais baixos, o setor precisa escoar maiores volumes para manter a competitividade, o que exige logística eficiente e novos mercados consumidores. Em paralelo, o governo discute estratégias para mitigar o impacto do tarifaço norte-americano, que também pressiona os preços dos produtos exportados.
Expectativas para os próximos meses
Especialistas do mercado apontam que o cenário para as commodities deve seguir pressionado no curto prazo, principalmente diante do aumento das tensões geopolíticas e da desaceleração da economia global. A expectativa é de recuperação mais consistente apenas a partir do último trimestre do ano, com possível reativação da demanda por parte da China e reequilíbrio nos estoques internacionais.
Fontes: Banco Central do Brasil, Canal Rural, Cepea/Esalq, Valor Econômico