Cenario Rural

Índice de preços da FAO se mantém estável em agosto, impulsionado por carnes e óleos, enquanto cereais e lácteos recuam

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Estabilidade que oculta tensões globais

O FAO Food Price Index ficou praticamente inalterado em agosto, passando de 130 para 130,1 pontos, mas o valor continua 6,9% acima do patamar de agosto de 2024 e representa o nível mais alto desde fevereiro de 2023.Embora ainda esteja 18,8% abaixo do auge de março de 2022, esse patamar evidencia que os preços globais de alimentos seguem elevados apesar da aparente estabilidade.

Detalhando os subíndices

  • Carnes: o índice chegou a 128 pontos, um recorde histórico, impulsionado por forte demanda por carne bovina nos EUA e na China e preços firmes da ovinocultura.

  • Óleos Vegetais: subiram 1,4%, atingindo o nível mais alto desde 2022 acompanhando a intensificação do uso de óleo de palma nos biocombustíveis da Indonésia.

  • Açúcar: teve ligeiro aumento de 0,2% após cinco meses de queda, com cenário pressionado pela incerteza nas safras brasileiras.

  • Cereais: foram pressionados para baixo recuo de 0,8%, conforme se intensificam safras robustas de trigo, arroz e milho.

  • Lácteos: registraram queda de 1,3%, com manteiga, queijo e leite em pó integral arrefecendo diante da fraqueza da demanda na Ásia; leite desnatado foi exceção.

Panorama global mais amplo em julho e projeções

Relatório de agosto da FAO revela que, apesar do aumento em carnes e óleos, os demais segmentos pressionaram para que o índice se mantivesse estável. Em julho, o índice já havia subido 1,6%, atingindo o mesmo patamar de agosto reforçando que o 130,1 de agosto representa um pico equilibrado, mesmo com mercados fragmentados.

Além disso, a FAO projeta para 2025 uma produção recorde de cereais de 2,961 bilhões de toneladas, puxada pela alta produtividade de milho nos EUA, Brasil e México. O estoques globais devem subir 3,7%, alimentando um cenário de oferta mais confortável.

O índice de preços da FAO em agosto indica estabilidade aparente, mas permanece em patamar elevado graças à pressão de carnes e óleos vegetais. Com oferta de cereais e laticínios confortavelmente ampla, os mercados mostram força seletiva o que pode ter reflexos tanto na inflação global quanto nas decisões estratégicas de produtores e governos.

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