O presidente Luiz Inácio Lula da Silva usou seu discurso na manhã de terça-feira (23 de setembro de 2025), durante a 80ª Assembleia Geral da ONU, para fazer críticas firmes a sanções e medidas adotadas unilateralmente por países estrangeiros, em especial pelos Estados Unidos. Lula afirmou que ataques a instituições nacionais são “inaceitáveis” e reforçou que o Brasil não abrirá mão de sua soberania ou independência institucional. A fala também incluiu defesa da ordem democrática, do Estado de Direito e do devido processo legal, especialmente no contexto de acusações relacionadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro, cuja condenação foi contestada por aliados externos.
Defesa da independência das instituições
No centro do discurso, Lula destacou que “não existe justificativa para medidas unilaterais, arbitrárias, que ponham em risco nossa institucionalidade”. Ele se referiu ao caso do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, que foi alvo de sanções dos EUA sob a Lei Magnitsky, bem como às restrições de visto a autoridades brasileiras. Lula reforçou que todos os procedimentos legais no Brasil foram respeitados, dizendo que o país, diante dos processos, deu exemplo de respeito ao devido processo legal e às garantias jurídicas.
Rejeição de sanções e apelo à diplomacia
O presidente criticou, em seu discurso, o uso de sanções como instrumento de política exterior que extrapola o âmbito do derecho internacional democrático. Ele classificou essas práticas como violações à soberania e afirmou que, além dos efeitos políticos, essas medidas têm impacto real sobre a economia brasileira, exportações e empregos. Lula pediu respeito mútuo, diálogo diplomático e mecanismos multilaterais para resolver disputas, sem recorrer a punições aplicadas de forma isolada.
Mensagem ao mundo: democracia como valor não negociável
Lula ainda aproveitou o momento para reforçar que o Brasil se mantém firme no compromisso com a democracia, multilateralismo e direitos humanos. Ele falou que o país enviou uma mensagem clara ao mundo de que, mesmo sob pressão externa, manterá suas instituições fortes. Afirmou também que casos que envolvem julgamentos de ex-governantes ou militares devem seguir os trâmites legais, com respeito ao contraditório, às garantias processuais e sem interferências externas.