O presidente Luiz Inácio Lula da Silva parte neste domingo, 21 de setembro de 2025, para Nova York, para participar da 80ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas, que acontece entre os dias 22 e 24. A delegação o acompanha em missão diplomática estratégica, com ministros e especialistas, com a pauta cuidadosamente alinhada às prioridades da política externa brasileira do momento.
Como ocorre desde 1955, o Brasil fará o discurso de abertura do debate geral. Lula deverá pronunciar-se na manhã de terça-feira, 23, logo após os discursos do secretário-geral da ONU, António Guterres, e da presidente da Assembleia Geral, Annalena Baerbock.
Agenda diplomática e as bandeiras em destaque
A viagem trará compromissos que vão além do plenário da ONU: já no dia 22, Lula participará da sessão de alto nível convocada por França e Arábia Saudita para discutir a questão palestina e a implementação da solução de dois Estados. O governo brasileiro espera que mais países se juntem ao reconhecimento formal da Palestina durante o evento.
Outro evento de destaque é a segunda edição da iniciativa Em Defesa da Democracia e Contra o Extremismo, marcada para o dia 24, que reúne cerca de 30 países. A ideia é reforçar a diplomacia democrática em meio a desafios globais como o autoritarismo, desinformação e fragilidade institucional. No mesmo dia, Lula deverá dividir a presidência de encontro climático com António Guterres, submetendo novas metas (NDCs) e reforçando compromissos climáticos, em vista da COP30, que o Brasil sediará em novembro.
Tensões diplomáticas e limitações da comitiva
A missão ocorre num momento de tensão diplomática entre Brasil e Estados Unidos, em meio às sobre tarifas impostas pelo governo americano aos produtos brasileiros e à condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro, que tem reverberado em discursos internacionais.
A comitiva brasileira será relativamente enxuta. Segundo fontes, entre os ministros confirmados estão Mauro Vieira (Relações Exteriores), Marina Silva (Meio Ambiente), Camilo Santana (Educação), Márcia Lopes (Direitos das Mulheres), Sônia Guajajara (Povos Indígenas), Jader Barbalho (Cidades) e Ricardo Lewandowski (Justiça e Segurança Pública). Houve desistências: o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, cancelou participação devido a restrições de visto impostas pelos Estados Unidos, o que causou desconforto institucional.
O que esperar do discurso e dos efeitos práticos
No discurso de abertura, o Brasil deverá reafirmar compromissos com o multilateralismo, crise climática, democracia e diplomacia de paz. A pauta climática, em especial, ganha urgência diante da COP30 que será realizada em Belém em novembro.
Também se espera que Lula use os debates para articular alianças, mitigar impactos do “tarifaço” dos EUA, reforçar parcerias em sustentabilidade, defesa ambiental, e ampliar mobilização internacional para questões como mudanças climáticas e preservação florestal. A participação brasileira em eventos paralelos, como a Semana do Clima de Nova York, é vista como preparação diplomática para essas agendas.
Conclusão
A ida de Lula à 80ª Assembleia Geral da ONU marca mais que uma viagem diplomática de rotina: é uma oportunidade de reposicionar o Brasil no cenário global em meio a desafios comerciais, climáticos e institucionais. A expectativa é de que o país saia de Nova York com compromissos reforçados, alianças redobradas e, se possível, com iniciativas que abram espaço para respostas práticas aos embates externos — especialmente aqueles com os Estados Unidos — em um momento sensível para o agronegócio, meio ambiente e política internacional.