Resposta diplomática ao protecionismo americano
Em pronunciamento em cadeia nacional de rádio e televisão, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou como “chantagem inaceitável” a decisão do governo Trump de aplicar uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros. A resposta veio após semanas de tensão diplomática e diversas tentativas frustradas de negociação por parte do Brasil.
Propostas ignoradas pelos EUA
“Fizemos mais de 10 reuniões com o governo dos Estados Unidos, e encaminhamos, em 16 de maio, uma proposta de negociação. Esperávamos uma resposta, e o que veio foi uma chantagem inaceitável, em forma de ameaças às instituições brasileiras, e com informações falsas sobre o comércio entre os dois países”, declarou Lula.
O presidente reafirmou que o Brasil responderá às ameaças por meio da diplomacia, do comércio internacional e do multilateralismo. Também garantiu que o governo não descarta acionar instrumentos legais, como a OMC e a Lei da Reciprocidade, caso não haja recuo por parte do governo norte-americano.
Em uma fala que também mirou o ambiente político interno, Lula enfatizou a importância da independência dos poderes e do respeito à soberania nacional. Sem citar nomes, criticou duramente tentativas de interferência no Judiciário e ataques antidemocráticos propagados nas redes.
Proteção à sociedade brasileira
“No Brasil, ninguém está acima da lei. É preciso proteger as famílias brasileiras de indivíduos e organizações que se utilizam das redes digitais para promover golpes e fraudes, cometer crime de racismo, incentivar a violência contra as mulheres e atacar a democracia”, afirmou.
O discurso de cinco minutos também trouxe uma defesa veemente do Pix, mecanismo de pagamento que, segundo Lula, vem sendo alvo de ataques injustificados. O presidente ainda chamou alguns políticos de “traidores da pátria” por colaborarem com discursos que desvalorizam as conquistas nacionais.
Articulação ampla com a sociedade
Segundo Lula, o governo já está articulado com setores produtivos, sindicatos e sociedade civil para formar uma frente de negociação com os EUA. O objetivo é evitar o colapso de setores inteiros da economia, especialmente os que dependem de exportação.
Nos últimos dois anos e meio, o Brasil teria aberto 379 novos mercados internacionais, o que mostra, segundo ele, a capacidade de reação da economia brasileira diante de desafios externos.
“Seguiremos apostando nas boas relações diplomáticas e comerciais, não apenas com os Estados Unidos, mas com todos os países do mundo”, completou.