O movimento de cargas no Porto de Santos, principal corredor logístico do Brasil, registrou um recorde histórico em julho de 2025. A movimentação foi impulsionada pelo tarifaço anunciado pelos Estados Unidos, que levou exportadores a anteciparem embarques e buscarem novos destinos para produtos brasileiros.
Alta expressiva no volume de cargas
Segundo dados da Autoridade Portuária de Santos (APS), foram movimentadas mais de 14,5 milhões de toneladas de cargas no mês, um crescimento de 12% em relação a julho de 2024. As exportações responderam por 9,2 milhões de toneladas do total, com destaque para o aumento nos embarques de milho, açúcar, carne bovina e etanol.
Açúcar e etanol lideram o crescimento
O setor sucroenergético se destacou no porto. As exportações de açúcar cresceram 18%, somando 3,4 milhões de toneladas em julho. O etanol, por sua vez, teve uma alta de 21%, totalizando 920 mil toneladas embarcadas. A maior demanda veio de países da Ásia e da Europa, que buscam alternativas sustentáveis diante da tensão geopolítica envolvendo os EUA.
Carnes e grãos também se destacam
Outro destaque foram as exportações de carne bovina, que cresceram 9% no período, impulsionadas pela crescente demanda chinesa e pelo recuo da produção norte-americana. O milho, por sua vez, teve embarques acelerados diante da boa safra e da necessidade de escoamento rápido antes de eventuais sanções comerciais entrarem em vigor.
Investimentos em logística fazem diferença
O recorde também é resultado dos investimentos realizados nos últimos anos no Porto de Santos. A ampliação dos berços de atracação, a digitalização de processos e a modernização do sistema de agendamento de caminhões contribuíram para maior eficiência e menor tempo de espera.
Perspectivas para o segundo semestre
Especialistas do setor apontam que, apesar do bom desempenho, o segundo semestre dependerá da definição dos desdobramentos político-comerciais entre Brasil e Estados Unidos. A continuidade dos embarques em ritmo acelerado dependerá da consolidação de acordos com novos parceiros comerciais e do apoio do governo federal à logística de exportação.