Cenario Rural

Novo PL pode escantear exportação de gado vivo, mercado de R$ 2 bi em xeque

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Mudança legal em pauta e reação do setor

O Projeto de Lei 2.627/2025, de autoria da deputada Duda Salabert (PDT-MG), propõe a proibição gradual da exportação de gado vivo para abate, no prazo máximo de cinco anos após sua aprovação, com cotas anuais de redução até sua eliminação total. A proposta inclui regras rígidas durante o período de transição, como transporte com equipe veterinária a bordo, rastreabilidade por microchip, limitação da idade de navios e instalação de recursos adequados em vias marítimas e terrestres. A medida provoca apreensão no setor, que alerta para os impactos econômicos, comerciais e regionais que podem comprometer a competitividade do Brasil no mercado internacional. 

Recorde de embarques e valor mobilizado

No primeiro semestre de 2025, o Brasil exportou 487,6 mil cabeças de gado vivo — um salto de 47,1% em relação ao mesmo período de 2024, quando foram exportadas 331,4 mil cabeças. Apesar de representar uma fatia pequena em valor total — cerca de R$ 2,4 bilhões em 2023, contra R$ 49,9 bilhões em carne bovina e R$ 5,6 bilhões em couro — o gado vivo mantém relevância estratégica em mercados que exigem abate local por questões culturais ou religiosas.

Bem-estar animal em debate

Salabert defende que a proibição gradual está alinhada às melhores práticas globais e pode trazer ganhos à cadeia do agronegócio, como agregação de valor, geração de empregos e fortalecimento da indústria nacional de carnes. Ela ressalta também riscos sanitários e ecológicos, citando o desastre do navio Haidar, que afundou no Pará e causou a morte de mais de 5 mil bois, além de derramamento de combustível e impactos ambientais. 

Resistência política e institucional

O PL enfrenta forte resistência da bancada ruralista, que domina comissões fundamentais do Congresso e costuma barrar propostas que reduzam práticas tradicionais do setor. Além do PL 2.627/2025, outras sete propostas similares tramitam no Legislativo, sem conseguir avançar significativamente. No Senado, uma audiência pública foi convocada para discutir os aspectos socioeconômicos, sanitários e ambientais do transporte de animais vivos, marcada para o dia 19 de agosto. 

Impactos logísticos e econômicos


O transporte de gado vivo envolve estruturas intensivas como fretes, empregos portuários e manutenção de cadeias em regiões inteiras. Com a restrição, produtores brasileiros temem perda de espaço em mercados como Oriente Médio e Norte da África, onde a carne halal processada no destino tem forte demanda. Por outro lado, a migração para exportar carne refrigerada pode gerar maior valor agregado e fortalecer o setor industrial. A proposta de banimento gradual da exportação de gado vivo coloca em xeque um mercado bilionário que, embora pequeno em comparação a outros segmentos, é estruturante para a pecuária brasileira. Se aprovada, a transição exigirá estratégias claras de adaptação para produtores, apoio à indústria de carnes e articulação política para viabilizar uma mudança com responsabilidade econômica e social.

Fontes: CompreRural, Agência Pública, Racismo Ambiental, Câmara dos Deputados. 

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