Aliança entre pesquisa e produção no bioma Pampa
O bioma Pampa, no Rio Grande do Sul, tornou-se palco de uma cooperação inédita entre a ciência e produtores rurais voltada à sustentabilidade da pecuária. A Embrapa Pecuária Sul lidera iniciativas inovadoras que unem genética, manejo e tecnologia para reduzir a pegada ambiental da criação de gado, especialmente as emissões de metano, um dos maiores gases de efeito estufa da atividade.
Genética com foco no clima
A principal ferramenta desse esforço são as Provas de Emissões de Gases (PEG), que já analisaram mais de 150 reprodutores de raças como Angus, Charolês, Hereford e Braford. O objetivo é identificar animais com maior eficiência na conversão alimentar e menor produção de metano características que podem ser incorporadas aos programas de melhoramento genético. Conforme a pesquisadora Cristina Genro, se essa característica for difundida entre milhões de animais, o impacto na redução de metano será expressivo.
High-tech no pasto
Para ampliar ainda mais o alcance das pesquisas, a unidade adquiriu o equipamento GreenFeed, capaz de monitorar até 100 bovinos simultaneamente e registrar suas emissões de forma contínua. O sistema gera dados essenciais para a consolidação de índices genéticos que compatibilizem produtividade e respeito ambiental.
Manejo que reduz o impacto climático
Além da genética, o manejo de pastagens também tem papel importante. Estudos na região mostram que animais mantidos em pasto na altura ideal reduzem em até 30% as emissões de metano, segundo padrões do IPCC. Práticas como controle de densidade animal por hectare e uso de espécies forrageiras adaptadas contribuem também para manter solos férteis e promover o sequestro de carbono, beneficiando tanto o agro quanto o meio ambiente.
Visão global e lições locais
A combinação de inovação científica e manejo aprimorado no Pampa se alinha ao compromisso assumido pelo Brasil na COP26 de reduzir emissões de metano. Além disso, estudos como o publicado pela MDPI em 2021 reforçam que os sistemas pecuários extensivos no bioma, sem integração com grãos, apresentam maiores índices de sustentabilidade ambiental do que os intensivos ou integrados.
Contexto amplo de sustentabilidade
O desafio da sustentabilidade envolve o “rangeland dilemma” do Pampa a histórica pressão para converter pastagens nativas em agricultura, especialmente soja. Estudos mostram que sistemas baseados em manejo extensivo ou intensivo tradicional são mais sustentáveis ambientalmente do que aqueles integrados com lavoura. A manutenção desses sistemas depende também de políticas públicas que valorizem os pecuaristas como guardiões do bioma. No Pampa, a pecuária sustentável sai do papel e encontra respaldo técnico e científico. Ao unir genética, tecnologia e manejo responsável, o setor mostra que a produção de carne bovina pode e deve ser aliada da conservação ambiental. Esse modelo tende a ser essencial para posicionar o Brasil como protagonista no agronegócio sustentável.