O preço do frango vivo no mercado brasileiro registrou forte queda em fevereiro — acumulando o quarto mês consecutivo de recuo e alcançando o menor patamar real desde maio de 2024, de acordo com dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). A redução nos valores tem pressionado as margens dos avicultores, especialmente diante de custos ainda firmes dos principais insumos da atividade.
Queda nos preços e relação com insumos
No estado de São Paulo, em fevereiro o preço médio do frango vivo ficou em R$ 5,04 por quilo, representando uma queda de 2,1% em relação à média de janeiro deste ano. Esse movimento colocou a proteína no seu menor valor real desde maio de 2024, quando ajustado pelo índice de preços ao produtor.
Enquanto isso, os preços dos insumos-chave — milho e farelo de soja — permaneceram estáveis ou com leve alta no período, o que tem reduzido o poder de compra do avicultor, já que é possível adquirir menos insumo com a venda de cada quilo de frango.
Relação de troca pressionada
De acordo com os cálculos do Cepea, com a venda de um quilo de frango vivo o produtor paulista consegue comprar atualmente:
- cerca de 4,47 quilos de milho, volume 1,9% menor do que o observado em janeiro;
- aproximadamente 2,73 quilos de farelo de soja, 2,6% inferior ao mês anterior.
Essa piora na relação de troca evidencia que os custos de produção seguem desafiadores para os avicultores, mesmo diante de preços mais baixos da proteína.
Exportações ajudam a limitar queda
Apesar da pressão de baixa no mercado interno, o Cepea ressalta que o ritmo recorde das exportações brasileiras de carne de frango tem atuado como um fator de sustentação, evitando que os preços recuassem ainda mais. A demanda externa aquecida tem funcionado como um suporte para o mercado, compensando parcialmente a fraqueza das vendas domésticas.
Cenário para o setor
O ambiente de preços mais baixos no frango, combinado com custos de alimentação animal estáveis ou em leve alta, representa um desafio importante para os produtores avícolas no curto prazo. A queda prolongada pode pressionar as margens e exigir ajustes de gestão, especialmente para pequenos e médios avicultores que já lidam com margens apertadas.
Por outro lado, a forte presença da proteína brasileira nos mercados internacionais deve continuar sendo observada como um dos principais fatores de apoio às cotações, caso os embarques se mantenham em níveis elevados nos próximos meses.