Declaração Impactante
No último domingo (10) Donald Trump, sugeriu que a China deveria quadruplicar suas compras de soja americana — uma proposta que acendeu o mercado global, fazendo os contratos na Bolsa de Chicago (CBOT) registrarem alta de mais de 2% na manhã seguinte.
Análise da Consultoria Datagro
No entanto, essa ambição é considerada inviável pela consultoria Datagro. Para chegar a um volume de 88 milhões de toneladas vendidas à China — algo em torno de 75% da produção projetada para a safra 2025/26 pelo USDA — os EUA teriam que aumentar em incríveis 69% o total exportado em 2024, além de superar em 39% o recorde histórico de embarques registrado em 2020. A Datagro alerta que tal estratégia comprometeria fortemente as vendas para outros países e afetaria a própria indústria doméstica americana.
Repercussões para o Brasil
Apesar da proposta ser improvável, a possibilidade de um aumento substancial nas vendas americanas causa preocupação no Brasil. O país é atualmente o principal fornecedor da China, com mais de 70% do volume importado. Um avanço da participação dos EUA no mercado chinês poderia pressionar os preços domésticos e reduzir os prêmios da soja brasileira.
Visão de Especialistas
Analistas, como Rafael Silveira, da Safras & Mercado, consideram que o cenário também depende de fatores como renegociações comerciais e movimentos da China no mercado. Eles projetam que o Brasil deve manter suas exportações aquecidas até o fim do ano, acompanhando o ritmo da demanda e das safras.
Ainda que quadruplicar as vendas de soja dos EUA para a China pareça impossível hoje, a proposta evidencia o grau de competitividade que se joga nesse mercado. O Brasil, por sua vez, se mantém no centro das atenções — e precisará monitorar atentamente eventuais mudanças de estratégia dos americanos, que podem alterar a dinâmica global do agronegócio.
Fontes: Datagro, safra 2025/26 do USDA, Safras & Mercado, EXAME CNN