Cenario Rural

Protestos de caminhoneiros fortalecem viés de baixa no mercado do boi gordo

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Nesta quinta-feira, 9 de setembro, os preços do boi gordo recuaram na maioria das praças pecuárias, influenciados pela paralisação dos caminhoneiros em vários Estados brasileiros.

As buscas por boiadas também perderam força depois da suspensão temporária dos embarques de carne bovina à China. Entretanto, após a confirmação, no dia 4 deste mês, de dois casos atípicos de encefalopatia espongiforme bovina (EEB), conhecida como “vaca louca”, detectados em frigoríficos de Minas Gerais e de Mato Grosso.

As escalas de abate acumuladas semanas antes do registro dos casos atípicos de EEB permitem esse comportamento, acrescenta a consultoria.

No geral, agentes do mercado consultados pelo Cepea, esperam que a retomada das exportações à China ocorra o mais breve possível. Assim, “seja pela negociação entre as autoridades brasileiras e do mercado internacional, seja pela dependência mundial pela carne brasileira”.

Segundo a IHS, com a paralisação dos caminhoneiros, os pecuaristas relatam problemas logísticos para a aquisição de animais de reposição.

Também registrou o cancelamento de leilões de animais em algumas regiões do País.

De acordo com a Scot Consultoria, a paralisação dos caminhoneiros resultou em bloqueios em rodovias envolvendo pelo menos 15 Estados: Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Paraná, Espírito Santo, Mato Grosso, Goiás, Bahia, Minas Gerais, Tocantins, Rio de Janeiro, Rondônia, Maranhão, Roraima, Pernambuco e Pará.

Tal acontecimento, diz a Scot, fez com que frigoríficos presentes no Estado de São Paulo não abrissem as ofertas de compra na manhã desta quinta-feira.

“Os compradores não estiveram ativos, e as compras de boiadas, que já estavam travadas por conta dos casos atípicos de vaca louca, seguiram suspensas na maior parte das indústrias”, ressalta a Scot.

Nas praças paulistas, os preços do boi gordo, além da vaca e a novilha prontas para abater, ficaram estáveis nesta quinta-feira, segunda apuração das consultorias.

Porém, em várias outras regiões do País, as cotações de animais terminados recuaram hoje.

Segundo a IHS, as plantas focadas no fornecimento de carne bovina ao mercado interno não apresentam grande apetite por animais terminados. Portanto, em função da dificuldade de escoamento do produto durante a segunda quinzena do mês, quando o poder aquisitivo da população é mais fraco, devido ao maior distanciamento do pagamento dos salários.

Até o momento, relata a IHS, os varejistas e distribuidores relatam excesso de oferta de carne bovina. Ou seja, indicando que não deve haver reação da procura por reposição após o final de semana.

“Nesse cenário, os frigoríficos de mercado interno adotam cautela na aquisição de animais, tentando barganhar valores menores para a arroba bovina”, enfatiza a consultoria.

Na avaliação da IHS, as margens operacionais dos pecuaristas seguem prejudicadas, já que as condições de pastagens são ruins para a manutenção do peso dos animais. Enquanto os custos de nutrição estão em patamares bastante elevados.

No mercado futuro, os contratos do boi gordo para 2021 registraram forte volatilidade, com significativas variações negativas. Entretanto, refletindo a preocupação em relação ao período de tempo necessário para o retorno das exportações de carne bovina ao continente asiático.

Os papeis para out/21 e nov/21 recuaram, respectivamente, R$ 3,30 e R$ 2,55, para R$ 305,05/@ e R$ 313,45/@, respectivamente.

O contrato de vencimento mais curto (setembro) apresentou significativa queda de R$ 5,35, recuando para R$ 301,25/@.

Entre as principais praças pecuárias do Brasil, a IHS registrou variações negativas da arroba no Centro-Oeste, MG, PR, RS e RJ, em função da forte redução na demanda por animais terminados.

 

Fonte: Portal DBO

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