A recente decisão dos Estados Unidos de recuar parte das tarifas sobre produtos brasileiros tem o potencial de melhorar o clima no setor pecuário, segundo avaliação do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).
A redução na prática
As alíquotas anteriores, que atingiam até 50%, foram reduzidas para 40%, representando uma queda de 10 pontos percentuais para as exportações de carne bovina brasileira. Apesar da diminuição, o Cepea ressalta que esse nível ainda é elevado para os exportadores.
Volumes de exportação devem seguir firmes
Apesar da redução tarifária, os pesquisadores afirmam que o volume exportado de carne bovina não deve sofrer uma mudança significativa. Segundo eles, o Brasil já opera com níveis de exportação bastante elevados.
Demanda dos EUA e da China
No balanço do Cepea, os EUA retomaram parte da demanda justamente por conta do encarecimento da alimentação interna no país. Porém, em termos de participação nas exportações brasileiras, os americanos ainda representam uma fatia relativamente pequena: 3,7% da carne exportada, segundo os dados do Cepea.
Por outro lado, a China continua dominante, comprando 53% das exportações brasileiras de proteína bovina.
Efeito sobre a arroba do boi gordo
Quanto ao preço da arroba do boi gordo, o Cepea avalia que a redução das tarifas pode estimular uma nova trajetória de alta. Porém, os efeitos ainda são incertos e devem ser acompanhados diariamente, dado o curto prazo das negociações.
Eles observam que, na primeira quinzena de novembro, houve variação nos preços segundo a região: enquanto praças como Rondônia e Mato Grosso do Sul tiveram queda, outras (Triângulo Mineiro, noroeste do Paraná, norte de Minas) registraram alta de até quase 3%. Goiás, por sua vez, teve valorização de cerca de 4%.
Contexto anterior de pressão
Vale lembrar que o Cepea já vinha alertando para os impactos negativos das tarifas dos EUA: em julho, por exemplo, afirmavam que a sobretaxa de 50% gerava apreensão no mercado, especialmente combinada a um ritmo lento de vendas domésticas.
O “alívio” vem com cautela
Embora a queda tarifária seja considerada positiva, o Cepea destaca que não representa uma solução definitiva. Os 40% de alíquota ainda impõem um obstáculo considerável aos exportadores.
O centro de estudos afirma que será fundamental observar como os agentes do mercado vão reagir: se haverá aumento expressivo de embarques para os EUA, ou se essa melhora se dará de forma mais tímida.
Perspectivas para os pecuaristas
Para os produtores de gado, a mudança pode trazer algum otimismo. Se as exportadoras aproveitarem o alívio para retomar compras, pode haver suporte para a arroba do boi gordo no curto prazo.
Mas, por outro lado, o mercado permanece vulnerável a novas mudanças: tanto por reação dos EUA quanto por flutuações na demanda global, especialmente da China.
Conclusão
A redução de tarifas para 40% nos Estados Unidos configura uma janela de alento para a pecuária brasileira, segundo o Cepea. É uma notícia positiva que pode mitigar parte das pressões recentes, mas não elimina completamente os riscos. O setor precisará acompanhar atentamente os próximos movimentos dos exportadores e importadores para entender se a retomada de confiança será sustentável.