Marco inédito para o setor de bioenergia
Santiago, no Rio Grande do Sul, marcou uma virada histórica ao inaugurar, este mês, a primeira usina de etanol de trigo do Brasil. O projeto, desenvolvido pela CB Bioenergia, demandou um investimento inicial de cerca de R$ 100 milhões e já está apto a processar diariamente 100 toneladas de trigo, com potencial para produzir até 12 milhões de litros de etanol hidratado por ano.
Pesquisa e tecnologia que dão resultado
Foram necessários três anos e meio de pesquisa para testar mais de 150 variedades de trigo cultivadas no estado gaúcho. O processo se tornou viável com o uso de leveduras geneticamente modificadas — desenvolvidas em parceria com a empresa americana IFF. Essa tecnologia permite uma fermentação eficiente, elevando o rendimento industrial em até 4,5%.
Produção incremental e metas ambiciosas
A fase inicial da usina visa estabelecer a produção com volume consistente. No entanto, os planos são muito além: até 2027, o objetivo é expandir a capacidade para entre 45 e 50 milhões de litros por ano, o que depende de aportes extras da ordem de R$ 500 milhões. A inauguração representa o ponto de partida de uma nova fronteira em bioenergia.
Subprodutos com propósito
O compromisso com a sustentabilidade vai além do combustível: o etanol neutro gerado pode servir à indústria de perfumaria e de bebidas. Além disso, os resíduos sólidos são aproveitados na produção de utensílios biodegradáveis — como pratos descartáveis —, demonstrando que o processo está alinhado à economia circular.
Aumento de renda e geração de empregos locais
O impacto vai além da tecnologia: estima-se que a operação da usina gere cerca de 120 empregos diretos e indiretos na região. Essa criação de renda e fortalecimento da cadeia produtiva local são vistos como elementos transformadores para os produtores e o município.
Outros projetos aceleram o movimento
A iniciativa da CB Bioenergia tem companhia: em Passo Fundo (RS), outra usina de etanol de trigo, da empresa Be8, está em construção, com capacidade projetada de 210 milhões de litros por ano, e deve começar a operar em 2026. Essa aceleração reforça o caminho da diversificação energética e da bioeconomia no Sul do país.
Representação de um novo ciclo energético
O projeto consolida o etanol de trigo como alternativa viável aos tradicionais como cana-de-açúcar e milho. Especialistas destacam que o modelo pode converter subprodutos desperdiçados em energia renovável, reforçando a matriz sustentável brasileira e ampliando o acesso ao biocombustível mesmo fora das zonas canavieiras.A inauguração da primeira usina de etanol de trigo não é apenas uma conquista técnica — é o pontapé em uma nova era do agronegócio brasileiro. Inovação, valorização de cadeias produtivas, economia circular e bioenergia caminham juntos nessa rota, que promete transformar a sustentabilidade do campo em estratégia competitiva.