Cenario Rural

São Martinho encerra safra 2025/26 com moagem de 21,67 milhões de toneladas e ajusta estratégias para o próximo ciclo

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Volume processado fica abaixo das projeções mais recentes e aponta ritmo de moagem mais lento

A São Martinho S.A., um dos principais grupos sucroenergéticos do Brasil, anunciou o encerramento das operações de moagem referentes à safra 2025/26 com 21,67 milhões de toneladas de cana-de-açúcar processadas, um volume que ficou abaixo das estimativas iniciais da própria companhia e do guidance divulgado para este ciclo. Esse resultado representa um desempenho operacional mais contido, influenciado por fatores climáticos e pela menor disponibilidade de matéria-prima em algumas regiões produtoras.

A moagem total anuncia a conclusão da fase industrial da safra e serve de referência para o setor sobre a capacidade operacional e evolução da produção de açúcar, etanol e energia renovável. A São Martinho opera quatro usinas localizadas em São Paulo e Goiás, com capacidade instalada aproximada de moagem de 24 milhões de toneladas por ano, colocando a empresa entre os maiores grupos sucroalcooleiros do país.

Comparação com projeções e fatores que influenciaram o resultado

Durante o andamento da safra 2025/26, a São Martinho havia divulgado projeções de moagem mais altas, estimando um processamento superior a 22 milhões de toneladas, o que é cerca de 3,7 % acima do volume registrado na safra anterior. A previsão considerava o uso de variedades genéticas melhoradas e os investimentos realizados nos canaviais após impactos climáticos recentes, incluindo secas e eventos extremos.

No entanto, o volume efetivamente processado acabou ficando abaixo desse patamar esperado. De acordo com especialistas do setor, essa diferença pode refletir um conjunto de variáveis: redução de dias úteis de moagem em períodos de chuva, menor disponibilidade de cana em alguns polos e ajustes do mix industrial, favorecendo em parte a produção de etanol em detrimento de açúcar. A lógica de alocação de cana pode influenciar o ritmo diário de moagem, principalmente em momentos de transição de clima.

Impacto nas operações de açúcar e etanol

Embora o anúncio da São Martinho citado refira-se ao volume total de cana moída, essa etapa é determinante para o desempenho dos principais produtos da companhia no ciclo. O processamento de cana influencia diretamente a produção de açúcar, etanol de cana e também de energia renovável a partir do bagaço.

Em ciclos recentes, a companhia tem buscado ajustar o mix de produção para responder a condições de mercado, alternando entre maior produção de açúcar quando os preços são mais atrativos ou priorizando etanol quando as margens energéticas são maiores. Essa flexibilidade industrial é uma estratégia para otimizar receita diante de volatilidade de preços e custos.

A moagem finalizada influenciará também diretamente os estoques de açúcar e os planos de comercialização para os próximos 15 a 30 dias, período em que a companhia normalmente ajusta seus contratos de venda, exportações e entrada de volume nos mercados interno e externo.

Produtividade medida pelo ATR e eficiência de moagem

Outro indicador técnico importante, o ATR (Açúcares Totais Recuperáveis), costuma acompanhar a medida de moagem para refletir a eficiência da conversão da cana em açúcar produzível. Em safras anteriores, a São Martinho registrou ATR médio em torno de 142,6 kg por tonelada de cana, um índice ligado à qualidade da matéria-prima e às condições climáticas ao longo do ciclo. Enquanto a companhia espera ajustes nesse indicador conforme o perfil da safra 2025/26, o ATR costuma ser um dos principais fatores a ser divulgado nos relatórios anuais de resultados.

Tendências de produtividade, aliadas a dados climáticos recentes serão determinantes nos próximos dias e semanas para calibrar as expectativas de rendimento por hectare e impactos na produção de açúcar e etanol.

Panoramas de mercado e próximos passos da companhia

Ainda neste ciclo, a São Martinho segue ajustando suas operações de comercialização e logística. Parte do trabalho inclui a definição de contratos futuros, negociação de exportações e ajuste de posições de estoque antes do início da nova safra 2026/27, quando a safra de cana-de-açúcar deve ser plantada novamente entre março e abril.

Especialistas indicam que, no curto prazo, os preços de açúcar podem responder a variações de oferta e demanda mundial, flutuações cambiais e custo de produção no Centro-Sul brasileiro, onde se concentra a maior parte da moagem nacional. Nos próximos 7 a 14 dias, agentes do mercado vão monitorar relatórios de moagem setoriais, estoques e sinais de demanda internacional para ajustar suas projeções de preço e posições de compra/venda.

Para a companhia, a conclusão da moagem representa também o início da fase de ajustes estratégicos internos, com foco em eficiência de custo, manutenção de planta e preparação para o próximo ciclo agrícola.

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