Cenario Rural

Setor de madeira registra 4 mil demissões após tarifa de 50% dos EUA; crise se aprofunda

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A crise escancarada após o anúncio das tarifas

Pouco mais de um mês depois de o governo dos Estados Unidos anunciar a sobretaxa de 50% sobre diversos produtos brasileiros, a indústria brasileira de madeira processada acumula cerca de 4 mil demissões, segundo levantamento da Abimci (Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente). Além disso, aproximadamente 5,5 mil trabalhadores foram colocados em férias coletivas, e 1,1 mil salários estão suspensos via lay-off. Esse impacto decorre diretamente da queda drástica nas exportações e dos cancelamentos de contratos internacionais.

Exportações despencam e dependência do mercado americano

Os Estados Unidos absorviam cerca da metade da produção nacional do setor — em alguns segmentos, essa dependência chega a 100%. Com o tarifaço, exportações de madeira processada brasileiras para os EUA caíram entre 35% e 50% de julho para agosto, de acordo com a Abimci. Contratos foram cancelados e embarques suspensos imediatamente após o anúncio. A expressão “dependência” aparece com força nos relatos do setor, indicando que muitos produtos madeireiros não têm mercados alternativos consolidados com volume e escala suficientes para absorver a produção brasileira.

Impactos regionais e humanos

A maioria das demissões e das medidas emergenciais atinge estados do Sul do Brasil, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, que concentram cerca de 90% da produção industrial madeireira. O setor gera atualmente cerca de 180 mil empregos formais no país, de acordo com a Abimci. Em empresas como Sudati (marken de compensados, MDF e semelhantes), BrasPine, Millpar e outras, há relatos de paralisações, demissões pontuais e alta de funcionários em férias coletivas.

Projeções se nada mudar

Se as tarifas continuarem sem alguma negociação ou exceção, a Abimci estima que mais 4,5 mil demissões poderão ocorrer nos próximos 60 dias. Esse cenário alarmante evidencia que a crise não é temporária nem localizada, mas ameaça desdobrar uma cadeia inteira do setor madeireiro. As empresas também apontam dificuldades para realocar parte da produção para outros mercados, seja por exigências sanitárias, logísticas ou de adaptação de produto tudo isso em meio a custos fixos que continuam altos.

Pressões sobre políticas públicas

O setor cobra do governo federal ação imediata nas negociações diplomáticas com os EUA para reverter ou atenuar o tarifaço. Também solicita linhas de crédito emergenciais, suspensão ou postergação de impostos federais, ressarcimento de créditos tributários e apoio para buscar novos mercados externos. A Abimci afirma que, até o momento, a resposta governamental tem sido considerada insuficiente, especialmente para evitar que unidades fabris fechem e famílias percam renda.

O tarifaço dos EUA causou impacto severo e imediato na indústria madeireira brasileira: demissões, paralisações, cancelamentos de contratos e queda de exportações. A resposta econômica e diplomática do Brasil agora é decisiva para evitar que o problema se torne estrutural — afetando empregos, renda, produção e o papel competitivo do setor no comércio exterior. Sem medidas urgentes, a previsão é de agravamento nos próximos meses.

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