Cenario Rural

Tarifaço de Trump ameaça devastar exportações de frutas do Vale do São Francisco

shutterstock_252338818-1-920x535

Produtores do Nordeste em alerta com taxação de 50% imposta pelos EUA

O setor de frutas brasileiras enfrenta um dos seus maiores desafios: a tarifa de 50% anunciada pelo governo norte-americano sobre exportações vindas do Brasil. A medida, promovida por Donald Trump em sua nova estratégia protecionista, atinge em cheio o principal polo exportador de frutas do país, o Vale do São Francisco.

A região é responsável por cerca de US$ 500 milhões em exportações anuais, de acordo com a Valexport (Associação dos Produtores e Exportadores de Hortigranjeiros e Derivados do Vale do São Francisco). A fruticultura irrigada do local sustenta milhares de famílias e movimenta diretamente 250 mil empregos, além de gerar outros 950 mil indiretamente.

A entidade divulgou nesta semana uma carta aberta, endereçada aos governos do Brasil e dos Estados Unidos, bem como a órgãos de comércio e relações exteriores. No documento, a Valexport pede urgência na reabertura de um diálogo diplomático para evitar o que classifica como “efeitos devastadores” para o setor.

“É imperativo encontrar uma solução que permita a manutenção do fluxo de exportações, a preservação dos empregos e o respeito ao esforço de milhares de famílias e empresas comprometidas com a produção sustentável de alimentos”, afirmou José Gualberto de Almeida, presidente da Valexport.

A decisão de Trump, que atinge também outros produtos brasileiros, é vista como parte de sua estratégia de pressão comercial. Contudo, o impacto sobre o setor de frutas é particularmente sensível, por envolver regiões com menor capacidade de reação econômica.

Estados como Pernambuco e Bahia, que concentram as lavouras irrigadas do Vale, podem ver seus produtores perderem competitividade e contratos internacionais. A logística bem estruturada, o clima favorável e a qualidade reconhecida dos produtos brasileiros não bastarão para compensar o aumento abrupto de custos.

Nos bastidores do Itamaraty, o assunto já é tratado com prioridade, mas a solução não deve ser simples. A diplomacia precisará equilibrar os interesses comerciais com os riscos geopolíticos da retaliação.

Para os produtores do Vale, no entanto, o tempo corre contra. Com contratos prestes a serem renovados e produções em andamento, a incerteza pode comprometer o faturamento da safra 2025 e colocar em xeque o futuro da exportação de frutas tropicais para os Estados Unidos.

 

WhatsApp
Facebook
Twitter
LinkedIn
Pinterest

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *