Cenario Rural

Tarifas dos EUA ameaçam setor brasileiro de cacau com prejuízos milionários

cacau

Setor teme retrocesso no crescimento das exportações brasileiras de cacau e derivados

A indústria brasileira do cacau pode enfrentar perdas significativas com a entrada em vigor das tarifas adicionais de 50% anunciadas pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros. De acordo com estimativas da Associação Nacional das Indústrias Processadoras de Cacau (AIPC), o prejuízo pode chegar a R$ 180 milhões anuais apenas em derivados de cacau.

Atualmente, os Estados Unidos figuram como principal destino das exportações brasileiras de manteiga de cacau e pó de cacau alcalino, itens de alto valor agregado que vinham crescendo nos embarques. Com a tarifa extra, a competitividade do produto brasileiro seria fortemente abalada, favorecendo exportadores de países que mantêm relações comerciais estáveis com os norte-americanos.

Exportação em risco e dependência preocupante

Segundo dados da AIPC, cerca de 65% das exportações brasileiras de derivados de cacau têm como destino os Estados Unidos. O aumento da tarifa, que incide sobre o valor FOB dos produtos, pode inviabilizar boa parte dessas vendas. Com isso, o setor alerta para a necessidade urgente de diversificação de mercados.

“Temos produtos com padrão internacional, rastreabilidade e boa aceitação, mas sem acesso garantido a mercados alternativos, ficamos vulneráveis”, disse um executivo da associação. A entidade pede ao governo brasileiro que priorize acordos bilaterais com países da Ásia e da Europa.

Impacto na produção nacional e preocupação com agricultores

Além da indústria processadora, a medida afeta também os produtores de cacau, sobretudo nos estados da Bahia e do Pará, principais polos da cultura. A retração da demanda por parte da indústria pode impactar diretamente os preços pagos ao produtor, gerando insegurança econômica em regiões que dependem da lavoura cacaueira.

O governo federal estuda a adoção de medidas de contingência, como linhas de financiamento para estocagem e subsídios temporários à exportação, mas o setor teme que as soluções demorem a sair do papel.

Recomendações e próximos passos

A AIPC recomenda a imediata articulação entre os Ministérios da Agricultura, Relações Exteriores e Indústria para a abertura de canais de negociação com os EUA e, paralelamente, o incentivo à promoção comercial dos derivados de cacau em novos mercados. A rastreabilidade, a sustentabilidade da lavoura e a qualidade dos produtos são apontados como diferenciais para conquistar consumidores exigentes fora da América do Norte.

 

WhatsApp
Facebook
Twitter
LinkedIn
Pinterest

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *