Cenario Rural

Togo autoriza importação de bovinos vivos do Brasil e abre nova rota para pecuária tropical

REBANHO

Autorização sanitária e destaque para o comércio

As autoridades sanitárias do Togo, país da África Ocidental, liberaram recentemente a exportação de bovinos e bubalinos vivos vindos do Brasil. A decisão marca uma nova etapa para o setor pecuário brasileiro, que busca ampliar suas rotas de comércio vivo, agregando valor à cadeia produtiva.

Com população estimada em cerca de 9,5 milhões, o Togo importou, em 2024, cerca de US$ 173 milhões em produtos agropecuários do Brasil, com destaque para carnes, pescados e itens do complexo sucroalcooleiro. Com a autorização para o gado vivo, esse montante comercial bilateral tem potencial para crescer.

Importância estratégica do porto de Lomé e inserção africana

O Porto de Lomé, na capital do Togo, funciona hoje como um hub logístico de relevância para a África Ocidental. Ele está entre os 100 maiores portos do mundo em termos de volume de contêineres, o que facilita a logística de importações brasileiras, inclusive de cargas vivas, que demandam estrutura especializada.

Para o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), a medida não é isolada: faz parte da estratégia de ampliar relações comerciais com países africanos, diversificar destinos para exportações brasileiras e aumentar a competitividade do agro em mercados internacionais.

Condições, riscos e desafios

Apesar de ser uma boa notícia, a exportação de animais vivos envolve vários requisitos sanitários, logísticos e normativos. É necessário atender a padrões de saúde animal, transporte adequado, certificação, acompanhamento veterinário, manejo no embarque e desembarque, além das exigências do país importador — neste caso, o Togo. Desafios como custos de transporte marítimo, desempenho sanitário e condições de bem-estar animal são relevantes.

Além disso, ainda não há informações públicas detalhadas sobre quantidades, prazos de embarque ou quais estados brasileiros serão agregados efetivamente a essa nova rota. Produtores estarão atentos não apenas à abertura, mas à operacionalização: quem poderá participar, que exigências serão feitas e quais serão os custos adicionais.

Perspectivas e impactos para os produtores

Para pecuaristas brasileiros aptos a exportar animais vivos, essa autorização representa uma oportunidade para agregar valor, já que gado vivo costuma gerar margens diferentes das carnes exportadas em carcaça. Pode também fomentar investimento em genética, infraestrutura de transporte especializado e instalações de exportação.

Essa abertura deve estimular novos acordos sanitários, expandindo o portfólio de países com demanda por animais vivos, reprodutores, genética bovina. Além disso, reforça a posição do Brasil como player global em pecuária, especialmente em mercados emergentes na África.

A autorização concedida pelo Togo para exportar bovinos e bubalinos vivos do Brasil é mais uma porta que se abre para o agropecuário nacional, especialmente em termos de diversificação de mercado e de inserção comercial em África Ocidental. O sucesso prático dessa abertura dependerá de como condições sanitárias e logísticas serão satisfatoriamente cumpridas, de como o mercado reagirá aos custos adicionais e de como os produtores brasileiros vão se adaptar para aproveitar essa nova rota.

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