Aprovado e encaminhado: o acordo avança oficialmente
Na quarta-feira (3), a Comissão Europeia validou o texto final do tratado UE–Mercosul, que agora segue para análise do Parlamento Europeu e dos governos dos 27 países membros. A assinatura pode ocorrer ainda em dezembro, durante a cúpula do Mercosul em Brasília.
Segundo o presidente da ApexBrasil, Jorge Viana, esse é um marco inédito e reforça o significado político do acordo.
O que está em jogo: benefícios bilaterais
O tratado representa o acordo comercial mais ambicioso entre os blocos, com potencial estimado em mais de US$ 7 bilhões em exportações adicionais para o Brasil. Entre os produtos favorecidos estão commodities como café, milho e suco de laranja, além de bens industriais com maior valor agregado, como aviões e calçados.
Resistências e preocupações persistentes
Apesar dos ganhos esperados, o pacto enfrenta oposição significativa de países como França, Polônia e Itália, e de líderes ambientais europeus. As principais críticas giram em torno da possibilidade de aumento do desmatamento na Amazônia, da concorrência desleal com produtos agrícolas e da ausência de salvaguardas ambientais consideradas eficazes.
O caminho até a ratificação
Para entrar em vigor, o acordo ainda precisa superar várias etapas: tradução, revisão jurídica, aprovação pela Comissão Europeia, pelo Parlamento Europeu e pelos governos nacionais dos 27 países, além dos respectivos parlamentos do Mercosul — o que pode levar anos. Em paralelo, há sinalizações de que a parte comercial poderia ser implementada de forma provisória, nas condições previstas pela legislação da UE.
A aprovação do texto final representa um passo importante para a consolidação de um dos maiores acordos de livre comércio já propostos. Se confirmado, o pacto pode redefinir fluxos de comércio, abrir mercados e fortalecer a integração entre Europa e América do Sul ainda que o sucesso dependa do equilíbrio entre interesses econômicos, ambientais e políticos.