A colheita da segunda safra de milho (safrinha) de 2025 avança em ritmo mais lento que o habitual no Centro-Sul do Brasil. Segundo levantamento da AgRural, divulgado em 14 de junho, apenas 5,2% da área cultivada havia sido colhida até o dia 12, avanço tímido frente aos 1,9% da semana anterior e significativamente inferior aos 21% observados no mesmo período de 2024.
Umidade em Excesso Preocupa Produtores
A principal causa do atraso é o alto nível de umidade nos grãos, resultado de chuvas recorrentes em maio e início de junho. Essa condição impede a entrada de máquinas em campo e aumenta os riscos de perdas pós-colheita por fermentação ou apodrecimento. Apesar disso, os níveis de umidade ajudam na manutenção da sanidade da planta até a colheita efetiva, segundo especialistas.
Comparativo Histórico Mostra Atraso Significativo
A atual taxa de colheita também está ligeiramente abaixo do ritmo registrado em 2023, quando 4,7% da área estava colhida na mesma época. Em estados como Mato Grosso do Sul, Paraná e Goiás, produtores aguardam uma janela de tempo seco para acelerar os trabalhos nas próximas semanas. No Mato Grosso, que tradicionalmente lidera o início da colheita, o progresso tem sido pontual e localizado em áreas plantadas mais cedo.
Embora o atraso seja evidente, as estimativas de produtividade permanecem estáveis em grande parte das regiões, com projeções próximas a 5,6 toneladas por hectare. A Conab mantém previsão de 87,3 milhões de toneladas para a segunda safra nacional. O clima nas próximas três semanas será determinante para evitar perdas de qualidade e garantir a fluidez dos embarques internos e externos.
Mercado Observa Logística e Oferta
A lentidão na colheita começa a impactar os cronogramas logísticos de entrega para indústrias de ração, exportadores e produtores de etanol de milho. Em Mato Grosso, tradings têm alertado para possíveis gargalos entre julho e agosto. Apesar disso, os preços da saca seguem estáveis, com suporte do câmbio e expectativa de demanda firme no segundo semestre.
Atenção Redobrada nas Próximas Semanas
Com a previsão de tempo mais seco para o fim de junho, a expectativa é de aceleração das colheitas nas regiões mais atrasadas. No entanto, analistas alertam para o risco de compressão da janela de colheita, o que pode pressionar a oferta e a estrutura de armazenagem. O produtor deve monitorar a umidade dos grãos e planejar sua logística para evitar perdas e aproveitar eventuais altas no mercado.
Fontes: AgRural, Conab, IMEA, Climatempo, 17/06/2025.